


“Arte do Equilíbrio Dinâmico da Vida" FRANCISCO CALDEIRA CABRAL, Conversa sobre Arquitectura Paisagista, p. 58.



Depois da morte da sua esposa D. Maria II, o Rei D. Fernando II, apaixona-se por Elise Hensler, em 1860, ao ir, ao Teatro de S. Carlos, ver a ópera “Um Baile de Mascaras”, onde esta fazia o Pajem “Oscar”. Em 1869, casam-se e Elise Hensler ganha o título de Condessa d’Edla concedido pelo Príncipe Ernesto II, primo de D. Fernando.

O casal, entre 1869 e 1875, constrói na parte Oeste do Parque da Pena, um Chalet, com inspirações Alpinas e Norte Americanas com um jardim Romântico. Este Chalet constitui uma peça de composição do próprio jardim e foi construído para a realização de piqueniques e proporcionar fins de tarde bucólicos. Em 1885 D. Fernando morre vítima de um cancro, e a Condessa d’Edla herda todas as propriedades, incluído o Parque da Pena, o Castelo dos Mouros e a Quinta da Abelheira.


O que mais preocupava á família Real e á imprensa era o Palácio da Pena, tornando-se insustentável a sua transferência para as mãos da Condessa, e por isso as negociações entre o Estado e a Condessa duraram até ao reinado de D. Carlos, que resolveu estas negociações com a publicação da lei de 25 de Novembro de 1889, que autorizava o governo de José Luciano de Castro a comprar todos os bens imóveis pertencentes à Condessa. Assim estas propriedades passaram a ser do Estado português e no usufruto da família Real a 12 de Junho de 1890, pela quantia de 410 contos e setecentos mil reis em seis títulos de divida pública. Esta negociação directa com a Condessa d’Edla permitiu-lhe salvaguardar os direitos de usufruto de algumas parcelas do Parque da Pena que lhe eram mais queridas, como o Chalet e a Feteira da Condessa, até a data da sua morte ou até que ela decidisse prescindir destes direitos. A Condessa manteve o usufruto desta área até ao ano de 1903, que deixa de ir pela dificuldade de aguentar a viagem, por falta de saúde e velhice.
Durante o reinado de D. Carlos I, foram realizadas diversas plantações em todo o Parque da Pena. Após a implantação da república, à semelhança de muitas outras propriedades da Coroa, o Estado separa a tutela do Parque da dos edifícios, entregando o Parque da Pena aos Serviços Florestais e o Palácio ao cargo da Direcção Geral do Património do Estado até 1981, data em que passa a ser gerido pelo ex-Instituto Português do Património Cultural. O Parque sob as mãos dos Serviços Florestais foi incorporado nas Matas Nacionais, onde o responsável pela gestão era Oliveira Carvalho. Nesta altura, foram introduzidos muitos exemplares, tornando-se um dos mais notáveis arboretos da Europa, utilizado como local pedagógico, cientifico e de recreio. A 14 de Fevereiro de 1941, houve um ciclone que destruiu inúmeros exemplares arbóreos notáveis, em que as zonas mais afectadas do Parque foram a do Picadeiro, Jardim das Camélias, Feteira e Jardim da Condessa d’Edla. O Chalet, em grave estado de degradação e abandono, sofreu um incêndio, em 1999, que o destruiu completamente.



Em 1981 foi criada a área de Paisagem Protegida de Sintra-Cascais e em 1994 a mesma área é reclassificada como Parque Natural, e a tutela passa a ser do Instituto de Conservação da Natureza do Ambiente e Recursos Naturais. Em 1995, Sintra é classificada como Paisagem Cultural Património da Humanidade pela UNESCO.
No ano 2000 é criada a empresa Parques de Sintra – Monte da Lua, S.A., para gerir algumas propriedades públicas, incluindo o Parque da Pena.
O Projecto de Restauro do Jardim da Condessa d'Edla e o Chalet da Condessa d'Edla foi possível graças a um financiamento de um mecanismo de financeiro europeu, EEA Grants. Este projecto teve início em 2007.
A primeira fase do projecto é constituída por trabalhos de preparação que envolveram a limpeza da vegetação, levantamentos topográficos e botânicos rigorosos e sondagem arqueológica. Estes trabalhos foram também acompanhados por uma pesquisa histórica aprofundada, pela identificação do sistema de captação e distribuição de águas original e pela avaliando do estado de conservação das estruturas construídas. Com estes levantamentos de campo, foi construída uma base de dados SIG, que foi utilizada como base para o projecto de restauro do jardim.
A segunda fase, a fase da proposta, teve como principal objectivo valorizar os aspectos históricos, ecológicos, botânicos, estéticos e funcionais do jardim para que se aproxime, o mais possível, da morfologia e ambiência vivida no tempo do Rei D. Fernando e da Condessa d’Edla. Todo o projecto foi realizado pela equipa técnica da empresa Parques de Sintra - Monte da Lua S.A., com o apoio de consultores e outras empresas. As principais preocupações deste projecto foram aumentar a capacidade de carga de alguns caminhos e a aplicação de pavimentos semelhantes aos originais, o restauro dos elementos construídos, recorrendo a materiais originais, como a aplicação de argamassas semelhantes às existentes. No que diz respeito á vegetação, procedeu-se a acções de limpeza e podas de condução e também a planos de plantação, utilizando o elenco botânico original do jardim, baseada numa pesquisa de recibos de compra de plantas em 1866 pela Condessa d’Edla e também em listagens de plantas em voga na segunda metade do séc. XIX.
A terceira, a fase de obra, teve início em 2009, com a inauguração do novo portão de acesso ao Chalet e Jardim da Condessa d’Edla. Foi também aberto o Centro de Apoio ao Projecto de recuperação do Chalet, que incluía uma sala de apresentação e outra de tratamento e restauro dos objectos salvados do incêndio do Chalet. Para apoio e acompanhamento do projecto a Casa do Guarda foi recuperada. A execução, propriamente dita teve início com a recuperação do sistema de captação, distribuição e armazenamento de águas recorrendo a técnicas e materiais originais. Posteriormente foi feita a recuperação da rede de caminhos e instalação do sistema de rega, em paralelo com os trabalhos de arboricultura e recuperação de vistas. Para finalizar seguiram-se os trabalhos de plantação e de preparação de abertura ao público.
Revestimento de cortiça na varanda do Chalet.
Construção dos caminhos no Jardim.
Em Lisboa:

Local do curso: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Edifício I&D, nº26, Sala Multiusos nº 2 – Piso 4.
Datas: 1 e 8 Abril, 6, 20 e 27 Maio, 3 Junho.
Visita de estudo: 21 Maio (8 horas)
Open lecture: 4 Abril (15.00 às 19.00)
Horário: 16.00 às 20.00
Preço: € 140,00 (Estudantes: € 100,00)
Público-alvo: Público em geral
Participantes: Mín.50
Dando sequência ao primeiro curso de Gestão Patrimonial organizado em 2010, a 2ª edição do Curso de Especialização, de que a Fundação Oriente é parceira, pretende reforçar as competências dos profissionais e estudantes dedicados a este sector, com um enfoque em três dimensões específicas do universo da gestão patrimonial: a dimensão prática e operativa de uma intervenção de conservação e restauro, procurando interiorizar a importância da gestão com rigor nas obras de conservação e restauro, assim como as múltiplas valências que integram uma acção desta natureza.
Seguir-se-á a análise de dois casos de estudo de gestão integrada, comparando a visão pública com a visão privada. Ainda neste módulo, espaço para o enquadramento jurídico da gestão do património, procurando identificar o que compete a quem, as lacunas da legislação e como as mesmas traduzem uma determinada visão do Estado na dinâmica patrimonial. E, por fim, a abordagem estritamente económico-financeira a este recurso tanto do ponto de vista teórico, como do ponto de vista de um agente com prática de investimento no bem em causa.
De destacar ainda uma Open Lecture do National Trust (Reino Unido), no intuito de trazer até Portugal a visão de uma associação privada fundada no século XIX e que conta com 3,3 milhões de associados na gestão de património de diferente natureza. Como na anterior edição, o curso contempla ainda uma visita de estudo de dia inteiro a casos práticos, concretamente aos Parques de Sintra Monte da Lua, para reforçar a aprendizagem com base na experiência concreta por parte dos participantes.
PROGRAMA:
I - CONSERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO
1 Abril
Apresentação e problemática do Curso
Catarina Valença Gonçalves (IHA - FCSH)
Conservação programada
Nuno Proença (Nova Conservação Lda.)
8 Abril
Organização técnica e financeira
Vitor Cóias e Silva (GeCoRPA)
II – Gestão do Património
6 Maio
Gestão Privada: Museu do Oriente
João Amorim (Fundação Oriente e Museu do Oriente)
20 Maio
A visão do Estado na perspectiva jurídica
José Luís Bonifácio Ramos (FDUL)
(Visita de Estudo) 21Maio
Parques de Sintra Monte da Lua
António Lamas (Parques de Sintra Monte da Lua SA)
III – Economia do Património
27 Maio
Economia Patrimonial
José Maria Lobo de Carvalho (IST/Parques de Sintra Monte da Lua SA)
3 Junho
Caso-de-estudo “Sagres”
Simon Punter (ILM Consulting)
Conclusão e encerramento
Catarina Valença Gonçalves (IHA - FCSH)
IV – Open Lecture
14 Abril
Visão integrada da gestão patrimonial
Richard Wheeler (The National Trust)
INSCRIÇÕES ATÉ 15 DE MARÇO EM:
cursodegestaopatrimonial@fcsh.unl.pt
A Turismo do Alentejo, ERT pretende que o 1º Congresso Internacional Alentejo: Património do Tempocontribua definitivamente para uma maior diversidade de produtos de Touring Cultural na região alentejana, consolidando e explorando com benefícios económico-sociais palpáveis todo o potencial do património e da cultura desta região de Portugal
Richard Wheeler is the National Trust’s Curator of Gardens and Parks in the south and west of England and, after training as a surveyor, has worked for the Trust for 33 years.
In his current role he is available to give curatorial and historical advice on some 98 Grade I and Grade II gardens on the English Heritage Register of Parks and Gardens of Special Historic Interest.
Currently he is assisting with major projects at Stowe Landscape Gardens, Hidcote Manor, Cliveden, Biddulph Grange, Croome Court, Sissinghurst Castle and Ashridge Park.
He lectures and writes regularly, mainly on the Iconography of Eighteenth Century Gardens, and, in conjunction with Ashridge College, runs an annual Garden History Summer School, now in its fifteenth year.
Apart from his work with the National Trust, he is a Council Member of the Garden History Society and Chairman of its Conservation Committee, a Trustee of the Georgian Group, and Chairman of the Chilterns Architectural Design Award Scheme.
Richard Wheeler lives in the Lodge at Hartwell House, near Aylesbury. Hartwell was given to the Trust in 2008, a part of one of the most generous gifts it has received in its 115 year history.
in.http://www.florens2010.com/en/node/1554
este post é uma sintese de um post original localizado em:
http://nucleoapinternacional.blogspot.com/2011/03/com-richard-wheeler-em-stoweque-ira.html
Fachada posterior da Casa Andresen com ligação ao Jardim do Roseiral.
Foi criado um novo acesso ao edificio a fim de facilitar a entrada aos visitantes com mobilidade reduzida.
Por fim, quero congratular todos os responsáveis pelo Jardim Botânico do Porto pelo seu dinamismo e perseverança em continuar a apostar no património histórico e cultural da Cidade do Porto.
Dentro em breve tentarei colocar mais fotografias da renovada Casa Andresen, especialmente do interior, o qual ainda não tive oportunidade de visitar.
Até breve!
| Fotografia da Palanca Negra Gigante, cedida por Kalunga Lima |
1º CICLO DE CONFERÊNCIAS CASUAL CONFERENCES MAR - JUL 2011 Mensalmente. Sábados, 15h30 – Auditório de Serralves Comissariado: CIBIO As Casual Conferences marcam o início de um programa de actividades, concebido no âmbito de um protocolo estabelecido entre a Fundação de Serralves e o CIBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos - Unidade de I&D em Ciências Biológicas, acolhida pela Universidade do Porto. Este Ciclo de Conferências tem como principal objectivo promover a divulgação do conhecimento científico sobre Biodiversidade, através do contacto informal entre investigadores de renome internacional, quer de nacionalidade portuguesa quer estrangeira, e o público. 1ª CONFERÊNCIA 19 MAR 2011 (Sáb), 15h30 A PALANCA NEGRA GIGANTE: A LUTA CONTRA A EXTINÇÃO Oradores: Pedro Vaz Pinto e Kalunga Lima O biólogo Pedro Vaz Pinto apresenta uma perspectiva histórica e o início das acções de conservação da Palanca Negra Gigante, raríssimo antílope, símbolo nacional angolano. Esta apresentação antecede e enquadra a exibição, em estreia europeia, da longa-metragem “O Resgate da Palanca Negra Gigante”. Realizada por Kalunga Lima, cineasta que estará presente nesta sessão, esta longa-metragem retrata os esforços do Projecto de Conservação da Palanca Negra Gigante para salvar esta espécie. Endémica a dois Parques Nacionais no centro de Angola, a Palanca Negra Gigante era tida como extinta após 27 anos de guerra civil. O filme culmina numa arriscada operação para capturar as restantes fêmeas de raça pura e encontrar um macho no imenso e inacessível Parque Integral do Luando, num último esforço para salvar esta magnífica espécie. Consulte toda a informação e adquira já o seu bilhete para esta sessão aqui. |
U.Porto assinala, a 22 de Março, o arranque oficial das comemorações do seu primeiro Centenário. Para esse dia está programado, para além da Sessão Solene na Reitoria, às 16h00, um concerto de música sinfónica portuguesa, agendado para as 21h30, no Coliseu do Porto. Muito gostaríamos que assistisse ao concerto do Dia do Centenário, que, em nosso entender, é uma iniciativa de grande interesse cultural, tendo em conta a riqueza e heterogeneidade do reportório e a qualidade dos executantes. Na primeira parte do concerto ouviremos o “Stacatto Brilhante”, de Joly Braga Santos, “Almourol”, de Francisco Lacerda, e a “Suite Alentejana n.º 2,” de Luís de Freitas Branco. Para a segunda parte estão previstas duas primeiras audições: uma peça para orquestra, “Poema para Violoncelo e Orquestra”, de Luís Costa, e uma peça coral sinfónica, “No coração do Porto”. Importa salientar que esta última peça foi encomendada expressamente para o Centenário, sendo a composição da autoria de Fernando Lapa e os versos do poeta Vasco Graça Moura. Todas as peças vão ser executadas pela Orquestra do Norte, dirigida pelo seu maestro titular e director artístico, José Ferreira Lobo.
